quinta-feira, 31 de agosto de 2017



Não gostaria de ficar escrevendo como se alguém fosse ler, então talvez mude o rumo só um pouco, para transbordar...
Não tô vazia não. 
Me sinto é cheia demais de mim mesma, e nossa relação (eu e eu) já não anda aquelas coisas...
Nem sei das coisas que deveriam ser, mas sei lá, parece que nada mais encaixa.
Deixei de transcender, deixei de estar junto comigo mesma.
É impressionante como tudo, às vezes, parece mais abstrato que antes.
Muito vago, rotineiro, calejante. 
As formas se confundem demais e se diluem de menos.
Das perguntas que fiz, só tive resposta  que vieram com a interrogação no final.

Alguém vai me escutar por aqui?
Não.
Nem eu.

quarta-feira, 20 de maio de 2015


De repente, você olha para um lado e olha para o outro...
Percebe o que aguentou e que os pés estão doendo pra cacete, os cabelos emaranhados, o estômago queimando, as olheiras profundas, os olhos embaçados, o corpo cansado, a voz rouca e o coração dando socos na costela...

Pois é...

Mas você deu conta
mesmo tropeçando em vidro
deu conta
E sorri na frente do espelho
sabendo
ninguém viu nada ainda
nada
Isso daqui é só o final
de outro começo
e eu estou pronta
estou séria
estou linda
EXAUSTA
mas forte
muito forte.


*****   *    *****

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014



Se olharem bem
não tenho nada. 
Nada de valor.
Mas guardo 
aqui dentro
um coração
que segue
desenfreado
todo caminho 
que houver.
Se olharem bem,
minha estrada
é arte,
sufoco
e amor.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014


Pois é...
Não deu tempo de dançar pra você. 
Não deu tempo de andar de mãos dadas, nem de dizer bobagens de fim de tarde. 
Não deu tempo de me perder no seu olhar como da primeira vez. 
Não deu tempo de ter coragem, de rasgar tuas dúvidas e te escrever no meu destino, na minha pele. 
Não deu tempo de deitar no teu peito, de fazer uma prece, de curtir a paz. 
Não deu tempo de golpear a tristeza, de matar a saudade e te trazer pra ficar. 
Não deu tempo, mas te dei meu amor, o tempo todo.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014



"Talvez nos encontremos de novo, mas ali onde me deixou não me achará novamente."


Bertolt Brecht

domingo, 12 de outubro de 2014

"Não tire da minha mão esse copo
Não pense em mim quando eu calo de dor
Olha meus olhos repletos de ânsia e de amor
Não se perturbe nem fique à vontade
Tira do corpo essa roupa e maldade
Venha de manso ouvir o que eu tenho a contar
Não é muito nem pouco eu diria
Não é pra rir mas nem sério seria
É só uma gota de sangue em forma verbal
Deixa eu sentir muito além do ciúme
Deixa eu beber teu perfume, embriagar...
A razão, porque não volto atrás?
Quero você mais e mais que um dia...
Não tire da minha boca esse beijo
Nunca confunda carinho e desejo
Beba comigo a gota de sangue final."

quarta-feira, 1 de outubro de 2014



A grande verdade, por  mais tola e simples que possa parecer, mais certa e mais secreta é que você me faz falta...
Sim, é esse vácuo, esse oco sem precisão ou contorno, sem nome ou lógica. 
Você me faz falta e me faz carregar  uma ausência indefinível. 
Um estar que é antes um tatear no vazio do que um estender de mão em direção a algo. 
Você me faz falta, me cava um buraco, põe em meu rosto um borrão que não me desfigura mas me torna um enigma para mim mesma. 
E venho me definindo e me reconfigurando ao redor disso: da sua falta. 
Sou essa que se ressente da sua ausência com medo de não mais saber como é a sua presença, que forma tem o seu corpo, qual o cheiro do seu hálito, qual a cor dos seus olhos, que gosto tem a sua boca assim que desperta. 
E no entanto sei disso: 
Me faz falta.
Essa falta ampla e completa que toma o dia cada vez que me vem o seu nome...
Essa falta que abre uma fresta no tempo...
Que suspende os ruídos do mundo...
Que modifica a direção do vento e que toma o centro de mim e ao redor no qual eu brinco de ser uma outra, que eu inventei para parecer que continuo vivendo.