quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Aqui estou, de coração aberto, pronta para mais uma caminhada, desta vez uma caminhada feita de verdades, sonhos e esperanças.
Tudo tem valido a pena, mesmo que só mais tarde, muito mais tarde, tenha percebido as verdadeiras lições de cada avanço, cada tropeço, cada obstáculo e ajuda.




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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

"...O guerreiro abre os olhos e está deitado no chão de uma planície.
Uma bandeira rasgada balança ao vento e mostra-lhe que a batalha acabou.
Nesse momento nada pensa e limita-se a perceber que está vivo pelo simples fato de sentir os olhos abrirem.
Está sozinho e tenta arrastar-se de volta para casa...
Restando nada mais do que um indivíduo e a sua espada sagrada.

Nesse momento percebe que tanto tempo de dedicação e entrega à causa apenas geraram ao outro lado uma força equivalente que lhe permitisse testar os seus métodos e toda a intensidade de energia que tinha ali colocado.

O guerreiro agradece aos seus deuses por lhe terem mostrado tal efeito dos seus atos.
A energia num certo movimento e intenção criou tudo aquilo de que hoje se arrependia.
Nada mais simples do que a intenção em que vibrava o seu coração podia gerar tamanha devastação em sua alma.

A partir desse dia, o guerreiro nunca mais usou armadura ou proteções.
E mesmo a sua espada apenas ficou com ele como companheira e símbolo de toda a sua aprendizagem."

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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Quem vive no escuro tem medo da luz.
Quem passa muito tempo trancado num lugar escuro e fechado, quando entra a primeira fresta de luz, tem a sensação de cegueira de tanto que a luz incomoda.
É preciso se acostumar com a luz para que os olhos enxerguem, de fato, a paisagem que antes estava escondida.
A escuridão nos remete aos erros.
Não aos erros que cometemos. Errar faz parte.
A escuridão faz parte dos erros em cuja permanência insistimos.
Há tantos erros que  são facilmente percebidos, mas a nossa teimosia e comodismo nos impedem na busca de uma nova vida. 
Quando isso acontece, é preciso ajuda, é preciso  mais cuidado ainda, mais amor ainda para que uma nova vida possa surgir.
Uma vida Iluminada.
A  Luz é novidade.
A paisagem só pode ser contemplada verdadeiramente sob a Luz.
Sem sujeiras.  

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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Quando eu era criança fui uma menina muito levada.
Agora sinto saudade do que eu fui (apesar de todas as dificuldades que me fizeram amadurecer e me tornar forte).
Acho que o que não faço agora é o que eu pude fazer na infância.
Eu subia em árvore pra pegar goiaba!
Brincava de fingir que era peixe ou lagarto...
Que lata era navio...
Que sabugo era um serzinho mal resolvido e igual a um filhote de gafanhoto!

Minha mãe é costureira e cresci entre agulhas, linhas e tecidos.
E muitas vezes, em vez de molecagem, eu fazia solidão.
Cresci brincando no chão, entre as linhas, formigas e folhas secas...
Uma infância livre e sem "comparamentos"(?)
Eu tinha mais comunhão com as coisas que comparação.
Porque se a gente fala a partir de ser criança, a gente faz comunhão.
Comunhão do orvalho e a aranha...
De uma tarde e suas nuvens brancas...
De um pássaro e sua árvore...
Então, eu trago em minhas raízes de criança a visão comungante(?) e oblíqua das coisas.
Hoje sei dizer, sem pudor, que o escuro me ilumina.
É um paradoxo que ajuda a poesia e que eu falo sem reservas.
Eu sinto que essa visão oblíqua vem de eu ter sido criança em um lugar perdido onde havia transfusão da natureza e comunhão com ela.

Era a menina e os bichinhos...
Era a menina e as linhas...
Era a menina e as folhagens...
Era a menina e o sol...
Era a menina...
Aquela menina.

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