sexta-feira, 12 de dezembro de 2014



Se olharem bem
não tenho nada. 
Nada de valor.
Mas guardo 
aqui dentro
um coração
que segue
desenfreado
todo caminho 
que houver.
Se olharem bem,
minha estrada
é arte,
sufoco
e amor.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014


Pois é...
Não deu tempo de dançar pra você. 
Não deu tempo de andar de mãos dadas, nem de dizer bobagens de fim de tarde. 
Não deu tempo de me perder no seu olhar como da primeira vez. 
Não deu tempo de ter coragem, de rasgar tuas dúvidas e te escrever no meu destino, na minha pele. 
Não deu tempo de deitar no teu peito, de fazer uma prece, de curtir a paz. 
Não deu tempo de golpear a tristeza, de matar a saudade e te trazer pra ficar. 
Não deu tempo, mas te dei meu amor, o tempo todo.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014



"Talvez nos encontremos de novo, mas ali onde me deixou não me achará novamente."


Bertolt Brecht

domingo, 12 de outubro de 2014

"Não tire da minha mão esse copo
Não pense em mim quando eu calo de dor
Olha meus olhos repletos de ânsia e de amor
Não se perturbe nem fique à vontade
Tira do corpo essa roupa e maldade
Venha de manso ouvir o que eu tenho a contar
Não é muito nem pouco eu diria
Não é pra rir mas nem sério seria
É só uma gota de sangue em forma verbal
Deixa eu sentir muito além do ciúme
Deixa eu beber teu perfume, embriagar...
A razão, porque não volto atrás?
Quero você mais e mais que um dia...
Não tire da minha boca esse beijo
Nunca confunda carinho e desejo
Beba comigo a gota de sangue final."

quarta-feira, 1 de outubro de 2014



A grande verdade, por  mais tola e simples que possa parecer, mais certa e mais secreta é que você me faz falta...
Sim, é esse vácuo, esse oco sem precisão ou contorno, sem nome ou lógica. 
Você me faz falta e me faz carregar  uma ausência indefinível. 
Um estar que é antes um tatear no vazio do que um estender de mão em direção a algo. 
Você me faz falta, me cava um buraco, põe em meu rosto um borrão que não me desfigura mas me torna um enigma para mim mesma. 
E venho me definindo e me reconfigurando ao redor disso: da sua falta. 
Sou essa que se ressente da sua ausência com medo de não mais saber como é a sua presença, que forma tem o seu corpo, qual o cheiro do seu hálito, qual a cor dos seus olhos, que gosto tem a sua boca assim que desperta. 
E no entanto sei disso: 
Me faz falta.
Essa falta ampla e completa que toma o dia cada vez que me vem o seu nome...
Essa falta que abre uma fresta no tempo...
Que suspende os ruídos do mundo...
Que modifica a direção do vento e que toma o centro de mim e ao redor no qual eu brinco de ser uma outra, que eu inventei para parecer que continuo vivendo.

domingo, 21 de setembro de 2014

A Arte de Perder




“A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.

Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subsequente
Da viagem não feita. Nada disso é sério.

Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Perdi duas cidades lindas. E um império
Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.

– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo
que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério
por muito que pareça (Escreve!) muito sério. ”


Elisabeth Bishop

Tradução de Paulo Henriques Britto

quinta-feira, 11 de setembro de 2014


Quero te namorar, te mimar e te acolher
Então deixa acontecer sem pensar ou prever
Vem cá me beijar até o Sol nascer...

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Ah... A Resistência dela!




Eu me sinto nua toda vez que você me liga e ouço seu riso me despindo de todas as armas que eu havia criado enquanto não falava com você.
Tento encontrar motivos pelos quais não devo te procurar, mas me vejo sem resposta, paralisada só por imaginar o toque de suas mãos.  
Desisti de entender como seu amor se tornou o meu, ou como seu cheiro é inevitável aos meus sentidos... 
E meus dias se passam assim, entre olhos, mãos, peitos e lábios. 
No teu peito me encaixei, parei, fiquei, adormeci... Estou.
A ausência não quer dizer que o coração repousou. 
São tempestades ou tristezas. 
Experimento nos lábios o gosto do bem-querer, da confusão das coxas e do sono compartilhado. 
Assim, simples.
Doce como café.
Não existe sossego, é um sufoco de corações apertados, tristes e congestionados. 
Você soube, eu deixei, tô desistindo de entender a agonia. 
Me sobe pela garganta como quem chora sem lágrima, quieta, muda, imersa.
Inexpressiva além da palavra contida. 
Eu quero mais.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Eu sou minha bagagem


Hoje já não carrego pesos desnecessários, por isso carrego uma mochila que não cabe nada além das minhas escolhas. Com o que tenho, ainda posso voar, pois a minha consciência agora é leve. Sou amada  e feliz. Não preciso fugir de mim habitando lugares por um tempo calculado para que não me conheçam profundamente.
A vida é palpável, não é um mapa em que traçamos um roteiro previsível, destituído de surpresas e imprevistos. Precisamos saber como e com quem queremos chegar, e esse "com quem" somos nós mesmos. Eu sou minha bagagem. Não importa o que tenha dentro dela. Eu preciso saber o que posso deixar pra trás para me sentir leve. Apenas isto.
Eu cresci demais em uma experiência triste e, independente do que tenha acontecido de desagradável, eu só trouxe comigo o crescimento. Estamos aqui para evoluir. Por isso não critico ou julgo, pois eu preciso entender a limitação de cada um, mesmo que eu não a aceite.
Os que passam a vida criticando, se colocam num patamar de superioridade: para estes o crescimento é mais lento e doloroso porque é a vida que vai se afunilando para escrever os caminhos de evolução. É mais fácil, ou melhor, mais suave quando podemos tecer nossa narrativa e deixar que a vida dance conosco.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Lá e cá


Todos os dias eu ainda lembro que ela é do tipo que inspira só por respirar. Cujas palavras formavam frases que me queimavam o juízo. Dessas que tem no cabelo o cheiro que eu queria sentir ao deitar. A pele que eu queria sentir com a palma da alma quando acordasse. A voz, meu Deus, dessas que eu queria guardar e fazer música dentro de mim. Ela é assim: linda. E sobrava tanto que quando eu encostava nela, me sentia linda também. E aqui falo de beleza que sai dos poros, não nas capas. Ela era justa. Podia gritar, podia chorar, podia implicar; mas eu morreria ao lado dela. Só que não deu. Num desses dias esquisitos, sumimos. Ela foi pra lá. E eu vim parar aqui.