domingo, 18 de dezembro de 2011


Deixo alguns sussurros transbordarem no lugar das frases quase não ditas.
Sinto o silêncio como quem sente dor, como quem quer qualquer remédio imediato pra solidão na noite de domingo.
Surrupio alguns perfumes e os guardo na pele, bordando sorrisos nos olhos.
Acumulo na ponta da língua todas as histórias inexistentes que eu queria te contar, só pra adiar a sua ausência...
Ou talvez contar da vontade que eu tenho de te borrar na minha parede, e fechar as minhas pálpebras egoístas só pra não te deixar fugir da minha loucura desmedida.


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domingo, 27 de novembro de 2011

Bem vinda, melancolia!
Vem confundir a minha pressa, refrescar minha retina!
Faz tropeçar a altivez, emoldura a solidez do singelo.
E chova, alaga-me, afoga o que não é eterno, fertiliza minha verdade.
Tritura a vaidade, que me condena ao não.
E me faça voar num vento quente e azul.

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sábado, 22 de outubro de 2011

Escolhas

Acredito piamente que a vida de cada um de nós é composta por uma sucessão ininterrupta de escolhas.

Fazemos escolhas todo o tempo, desde as mais simples e automáticas, até as mais complexas, elaboradas e planejadas.

Quanto mais maduros e conscientes nos tornamos, melhores e mais acertadas são as nossas escolhas.

Assim também é com o amor.

Nós podemos escolher entre amar e não amar. Afinal de contas, o amor é um risco, um incontrolável e grande risco. Incontrolável porque jamais poderemos obter garantias ou certezas referentes ao que sentimos e muito menos ao que sentem por nós. E grande porque o amor é um sentimento intenso, profundo e, portanto, como diz o ditado, quanto mais alto, maior pode ser o tombo!

Por isso mesmo, admiro e procuro aprender, a cada dia, com os corajosos, aqueles que se arriscam a amar e apostam o melhor de si num relacionamento, apesar das possíveis perdas.

Descubro que o amor é um dom que deve vir acompanhado de coragem, determinação e ética.
Não basta desejarmos estar ao lado de alguém, precisamos MERECER.

Precisamos exercitar nossa honestidade e superar nossos instintos mais primitivos.

É num relacionamento íntimo e baseado num sentimento tão complexo quanto o amor que temos a oportunidade de averiguar nossa maturidade.
Quanto conseguimos ser verdadeiros com o outro e com a gente mesmo sem desrespeitar a pessoa amada? Quanto conseguimos nos colocar no lugar dela e perceber a dimensão da sua dor?

Quanto somos capazes de resistir aos nossos impulsos em nome de algo superior, mais importante e mais maduro?
Amar é, definitivamente, uma escolha que pede RESPONSABILIDADE.

É verdade que todos nós cometemos erros, mas quando o amor é o elo que une duas pessoas,independentemente de sangue, família ou obrigações sociais, é preciso tomar muito cuidado, levar muito o outro em conta para evitar estragos permanentes, quebras dolorosas demais.
O fato é que todos nós nos questionamos, em muitos momentos, se realmente vale a pena correr tantos riscos... Eu acredito que sim. Porque toda pessoa que ama corre o risco de perder a pessoa amada, de não ser correspondida, de ser traída, de ser enganada... Enfim, de sofrer mais do que imagina que poderia suportar.
Então, apenas os fortes escolhem amar!

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domingo, 11 de setembro de 2011

Se você quer ser feliz, mande embora seu "severo juiz"...
Ouça seu coração!
Valorize o que sente e seja uma pessoa verdadeira.
Assuma seus sentimentos.
Só diga sim depois de sentir o que realmente quer.
Não tenha receio de dizer não.
Deixe de contar seus problemas aos outros e perguntar o que deve fazer.
Confie em seus critérios.
Você pode!
Experimente!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

"Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. 
Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem vindo, que se sente inteiro. 
Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. 
Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. 
Sente-se amado quem não ofega, mas suspira...
Quem não levanta a voz, mas fala...
Quem não concorda, mas escuta...

Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo."



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sexta-feira, 25 de março de 2011

O outono  chegando...
E as ventanias também...
E eu sei desde sempre, que esses ventos sujam a casa que eu passo meses limpando. 
Dessa vez eu não vou arrumar nem limpar, vou largar meus pedaços por aí. 
Por favor, não repare na bagunça, pare de olhar pra trás e largue tudo como está. 
O carnaval acabou e com ele se foram as mágoas e as borboletas.
Por isso não tenha medo de admitir que o samba morreu, 

O disco riscou e nessa casa só sobraram cinzeiros cheios e copos vazios...
Se antes eu me perdia na mentira, agora  me acho na verdade. 
Então é com grande pesar que te peço que guarde com carinho os momentos alienáveis com a estranha familiaridade na caixinha de coisas intransferíveis. 
Peço também, que em silêncio, apague a luz... 
Tranque a porta e deixe a chave.
Agora vou dormir.




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sábado, 12 de março de 2011

...E o que vejo, a cada momento,
É aquilo que nunca antes eu tinha visto...


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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Todos os dias de manhã dou por mim respirar como se tivesse acabado de nascer.
E, se nos primeiros dias isso me assustava, hoje encaro como o que é na realidade: 
Um renascimento. 
Renasci. 
A vida preparou-me para este renascimento.
Tirou-me o que me machucava.
Deu-me o que me completa.
E ela (a vida) não foi carinhosa ao fazê-lo, mas ainda bem. 
Não percebi de imediato o significado de tudo,
Como nunca percebo devido a extrema necessidade de sofrer intensamente,
Esquecendo-me de apenas confiar e ter fé.
Pelo caminho, fui perdendo capacidades e quando dei conta estava longe de onde começara. 
É verdade, o caminho tem tantos cruzamentos e desvios... 
Optar faz parte a cada minuto que passa. 
Mas quando essas opções são feitas sem respeito por nós mesmos, 
Sem ouvirmos o que o nosso Ser nos diz, nos perdemos. 
E foi assim que andei, perdida. 
Pior,
Todos os passos que dei em frente, recuei. 
Tudo isto sem passar pela casa da partida, do despejo... 
Via apenas o que me punham à frente... 
Diziam-me, e eu desistia... de mim.
Os sinais eram os mesmos. 
As palavras conjugavam-se em diferentes tempos mas sempre com uma verdade e sincronicidade assustadoras.
Quando, ao fim de tanto tempo perdida, despertei. 
Abri os olhos e lá estavam todos, tal como sempre estiveram à minha espera. 
Tal como eu os deixara. 
E quando pensava que o regresso à "casa" era impossível... 
Eis que a vida me trouxe de volta, 
Em braços, 
E colocou-me junto aos que amo.
Retornei à mim.
Cheguei finalmente.

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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011


A vida é mesmo assim, por vezes  nos afasta do nosso propósito,  nos enrola como se fosse uma gigante onda do mar que quando nos larga na areia nos deixa  inconscientes.
Com o tempo ganhamos forças, retomamos a respiração e levantamos.
À minha volta todos os que eu sabia estarem à minha espera e mais alguns que o Universo me ofereceu para que eu saiba que Ele não faz as coisas por acaso e que tudo tem uma razão de ser.
Percebo tudo agora.
E sim, sou parte deste Todo que me envolve, que me alimenta, que me guia e ilumina.
Os caminhos do Amor regressaram à minha e à vida de quem os quiser comigo partilhar.


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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

"Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos.
A alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração  estava de boca entreaberta: 
Eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.
Andavam por ruas e ruas falando e rindo.
Falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.
Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. 
Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles.
Então a grande dança dos erros. 
O cerimonial das palavras desacertadas. 
Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. 
No entanto ele que estava ali. 
Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. 
Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. 
Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. 
Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. 
Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue...
E quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios... 
Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."

Clarice Lispector

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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Aqui estou, de coração aberto, pronta para mais uma caminhada, desta vez uma caminhada feita de verdades, sonhos e esperanças.
Tudo tem valido a pena, mesmo que só mais tarde, muito mais tarde, tenha percebido as verdadeiras lições de cada avanço, cada tropeço, cada obstáculo e ajuda.




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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

"...O guerreiro abre os olhos e está deitado no chão de uma planície.
Uma bandeira rasgada balança ao vento e mostra-lhe que a batalha acabou.
Nesse momento nada pensa e limita-se a perceber que está vivo pelo simples fato de sentir os olhos abrirem.
Está sozinho e tenta arrastar-se de volta para casa...
Restando nada mais do que um indivíduo e a sua espada sagrada.

Nesse momento percebe que tanto tempo de dedicação e entrega à causa apenas geraram ao outro lado uma força equivalente que lhe permitisse testar os seus métodos e toda a intensidade de energia que tinha ali colocado.

O guerreiro agradece aos seus deuses por lhe terem mostrado tal efeito dos seus atos.
A energia num certo movimento e intenção criou tudo aquilo de que hoje se arrependia.
Nada mais simples do que a intenção em que vibrava o seu coração podia gerar tamanha devastação em sua alma.

A partir desse dia, o guerreiro nunca mais usou armadura ou proteções.
E mesmo a sua espada apenas ficou com ele como companheira e símbolo de toda a sua aprendizagem."

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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Quem vive no escuro tem medo da luz.
Quem passa muito tempo trancado num lugar escuro e fechado, quando entra a primeira fresta de luz, tem a sensação de cegueira de tanto que a luz incomoda.
É preciso se acostumar com a luz para que os olhos enxerguem, de fato, a paisagem que antes estava escondida.
A escuridão nos remete aos erros.
Não aos erros que cometemos. Errar faz parte.
A escuridão faz parte dos erros em cuja permanência insistimos.
Há tantos erros que  são facilmente percebidos, mas a nossa teimosia e comodismo nos impedem na busca de uma nova vida. 
Quando isso acontece, é preciso ajuda, é preciso  mais cuidado ainda, mais amor ainda para que uma nova vida possa surgir.
Uma vida Iluminada.
A  Luz é novidade.
A paisagem só pode ser contemplada verdadeiramente sob a Luz.
Sem sujeiras.  

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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Quando eu era criança fui uma menina muito levada.
Agora sinto saudade do que eu fui (apesar de todas as dificuldades que me fizeram amadurecer e me tornar forte).
Acho que o que não faço agora é o que eu pude fazer na infância.
Eu subia em árvore pra pegar goiaba!
Brincava de fingir que era peixe ou lagarto...
Que lata era navio...
Que sabugo era um serzinho mal resolvido e igual a um filhote de gafanhoto!

Minha mãe é costureira e cresci entre agulhas, linhas e tecidos.
E muitas vezes, em vez de molecagem, eu fazia solidão.
Cresci brincando no chão, entre as linhas, formigas e folhas secas...
Uma infância livre e sem "comparamentos"(?)
Eu tinha mais comunhão com as coisas que comparação.
Porque se a gente fala a partir de ser criança, a gente faz comunhão.
Comunhão do orvalho e a aranha...
De uma tarde e suas nuvens brancas...
De um pássaro e sua árvore...
Então, eu trago em minhas raízes de criança a visão comungante(?) e oblíqua das coisas.
Hoje sei dizer, sem pudor, que o escuro me ilumina.
É um paradoxo que ajuda a poesia e que eu falo sem reservas.
Eu sinto que essa visão oblíqua vem de eu ter sido criança em um lugar perdido onde havia transfusão da natureza e comunhão com ela.

Era a menina e os bichinhos...
Era a menina e as linhas...
Era a menina e as folhagens...
Era a menina e o sol...
Era a menina...
Aquela menina.

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