domingo, 12 de outubro de 2014

"Não tire da minha mão esse copo
Não pense em mim quando eu calo de dor
Olha meus olhos repletos de ânsia e de amor
Não se perturbe nem fique à vontade
Tira do corpo essa roupa e maldade
Venha de manso ouvir o que eu tenho a contar
Não é muito nem pouco eu diria
Não é pra rir mas nem sério seria
É só uma gota de sangue em forma verbal
Deixa eu sentir muito além do ciúme
Deixa eu beber teu perfume, embriagar...
A razão, porque não volto atrás?
Quero você mais e mais que um dia...
Não tire da minha boca esse beijo
Nunca confunda carinho e desejo
Beba comigo a gota de sangue final."

quarta-feira, 1 de outubro de 2014



A grande verdade, por  mais tola e simples que possa parecer, mais certa e mais secreta é que você me faz falta...
Sim, é esse vácuo, esse oco sem precisão ou contorno, sem nome ou lógica. 
Você me faz falta e me faz carregar  uma ausência indefinível. 
Um estar que é antes um tatear no vazio do que um estender de mão em direção a algo. 
Você me faz falta, me cava um buraco, põe em meu rosto um borrão que não me desfigura mas me torna um enigma para mim mesma. 
E venho me definindo e me reconfigurando ao redor disso: da sua falta. 
Sou essa que se ressente da sua ausência com medo de não mais saber como é a sua presença, que forma tem o seu corpo, qual o cheiro do seu hálito, qual a cor dos seus olhos, que gosto tem a sua boca assim que desperta. 
E no entanto sei disso: 
Me faz falta.
Essa falta ampla e completa que toma o dia cada vez que me vem o seu nome...
Essa falta que abre uma fresta no tempo...
Que suspende os ruídos do mundo...
Que modifica a direção do vento e que toma o centro de mim e ao redor no qual eu brinco de ser uma outra, que eu inventei para parecer que continuo vivendo.