segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Quando eu era criança fui uma menina muito levada.
Agora sinto saudade do que eu fui (apesar de todas as dificuldades que me fizeram amadurecer e me tornar forte).
Acho que o que não faço agora é o que eu pude fazer na infância.
Eu subia em árvore pra pegar goiaba!
Brincava de fingir que era peixe ou lagarto...
Que lata era navio...
Que sabugo era um serzinho mal resolvido e igual a um filhote de gafanhoto!

Minha mãe é costureira e cresci entre agulhas, linhas e tecidos.
E muitas vezes, em vez de molecagem, eu fazia solidão.
Cresci brincando no chão, entre as linhas, formigas e folhas secas...
Uma infância livre e sem "comparamentos"(?)
Eu tinha mais comunhão com as coisas que comparação.
Porque se a gente fala a partir de ser criança, a gente faz comunhão.
Comunhão do orvalho e a aranha...
De uma tarde e suas nuvens brancas...
De um pássaro e sua árvore...
Então, eu trago em minhas raízes de criança a visão comungante(?) e oblíqua das coisas.
Hoje sei dizer, sem pudor, que o escuro me ilumina.
É um paradoxo que ajuda a poesia e que eu falo sem reservas.
Eu sinto que essa visão oblíqua vem de eu ter sido criança em um lugar perdido onde havia transfusão da natureza e comunhão com ela.

Era a menina e os bichinhos...
Era a menina e as linhas...
Era a menina e as folhagens...
Era a menina e o sol...
Era a menina...
Aquela menina.

* * * * *

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Infancia é a época que menos temos lembranças, mas que mais deveriamos nos lembrar...
    Nessa época não existem frustações, apenas diversão... Apenas felicidade em grande quantidade...
    Acho que é por isso que a risada de uma criança é tão gostosa de se ouvir
    Porque não tem remorso, tristeza ou falsidade... É apenas alegria em estar vivo

    Fico mto feliz em ver que a sua infancia foi preenchida pela comunhão... E fico mais feliz ainda de saber que essa comunhão ainda está em vc, na sua poesia!!
    Agradeço mto a Deus por ter te conhecido e feito essa parcitipação especial no filme da sua vida... Naquela antiga 8° série...

    Ah, e antes que eu me esqueça: Alessandra, escreva um livro, te dou todo apoio!!
    VC tem que semear suas idéias, que vem da mais profunda comunhão entre a mente e o coração!!!

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  3. Oh, meu querido!
    Busco nesse momento reencontrar aquela menina que fui, a mesma menina ingênua, doce, mas forte.

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